E vc cresceu antes do q era pra crescer!

Anna Laura;

Há quase 1 ano e meio atrás, estávamos eu e vc na sala, qdo o papai chegou com um teste de gravidez pra mamãe.
Mamãe te deixou vendo TV e correu pro banheiro pra fazer.
Enquanto eu esperava os longos 5 minutos que a bula manda, sentei ao seu lado e te observei brincar.
Vc ainda era tão bebê, q usava fraldas.
Vc brincava, dançava, gesticulava com o desenho!
Fiquei ali mais de 5 minutos te namorando, qdo me dei conta q o teste estaria pronto!
Com o coração na mão de ansiedade, cheguei no banheiro e peguei o teste na mão.
Vi que haviam 2 listrinhas e isso significava positivo. Mais q isso, significava que vc deixaria de ser a bebê da casa e se transformaria em irmã mais velha. Em mais velha, pra ser mais honesta com vc.
Sorrindo e chorando ao mesmo tempo, sentei ao seu lado e te perguntei: “filha, vc quer ganhar um irmãozinho?”.
Vc e sua inocência dos seus 2 anos e 3 meses, sorriu e disse “xim! Como a banca de neve?” 
E sua resposta me fez perceber que ao mesmo tempo q vc não fazia ideia do q era ter um irmãozinho, vc tb era muito bebê pra responder uma pergunta daquela.
Saí da sala e deixei vc lá, brincando e sonhando.

E o tempo foi passando, a minha barriga crescendo e vc ainda era o bebê da casa!
Deixou de usar fralda, mas ainda tomava mamadeira.
Ainda dormia no colo.
Ainda pedia pra q eu te levasse fazer xixi pq vc não alcançava subir sozinha na privada.
Vc ainda falava algumas palavrinhas erradas, no estilo bebê mesmo!

No dia em q eu deixei de te levar pra escola, com 35 semanas de gravidez e o médico da mamãe me proibiu de dirigir, eu te disse q a partir daquele dia, quem te levaria seria o papai. E vc me perguntou: “então eu já cresci?”.
Ri e disse q sim, q todo o dia vc crescia um pouco mais.

No dia em q marcamos a cesariana do seu irmão, eu decidi q iria te levar pra escola.
O papai q foi dirigindo o carro, mas eu fiz questão de ir junto.
Desci do carro e entrei com vc.
Na hora do beijinho de tchau, me lembro q te abracei, chorei (claro!) e te disse: “Lau, é hj q vc vai virar irmã mais velha! Ta feliz?”.
E vc me abraçou e disse um sincero NÃO!
Não????
Fui embora com isso em mente filha!
E realmente!
Claro q vc não estava feliz.
Vc sabia, mesmo não tendo plena noção, de q vc perderia o seu posto de bebê da casa.

E esse tempo todo, esses quase 9 meses q o Bernardo tem, só te fez crescer.
Mesmo.
E isso, embora seja sim positivo, me parte o coração!
Ah esse coração bobo de mãe q se recusa a acreditar q o filho cresce!

Vc cresceu.
Aprendeu a ir no banheiro fazer xixi e coco sozinha.
Vc vai, acende a luz, tira a roupa, faz xixi, se limpa, e se veste. Ah e apaga a luz tb!
Coco vc ainda me chama. Mas pq eu fico em cima. Por vc, vc mesma daria um jeito…rs
Vc se veste sozinha.
Come sozinha.
Atende o telefone de casa já! Caramba!
Vc sabe acender a TV e mudar pro canal q vc gosta.
Vc aprendeu a ficar em silêncio qdo seu irmão ta dormindo.
Aprendeu principalmente a esperar.
Pq tudo, tudo, tudo q vc me pede eu respondo com “péra filha, só um minuto, calma q eu já vou, depois Anna…” e por aí a fora!
E vc entendeu o significado da palavra “depois”.

Aos trancos e barrancos, eu sei.
Nem sempre vc fica confortável com essa situação!
As vezes vc me questiona. As vezes vc se revolta e briga. As vezes, veja vc, vc até bate nele achando q ele tem culpa!
Na realidade a culpa é eterna minha.

Pq ainda eu não aprendi a me dividir como deveria.
Ainda hj eu dou certa preferência às coisas q estou fazendo ao seu irmão!

Mas não é falta de amor.
Muito pelo contrário.
Tento suprir isso com algumas outras coisas.

To tentando e aprendendo a ser uma mãe, em duas.
Confesso q não é facil.
Confesso q te falar não nem sempre é o q eu quero, mas é o q temos pro momento.

Confesso q te ver crescer assim, mais rápido do q estava nos meus planos, me dói de certa forma.
Vc TEVE q crescer.
Não havia muito o q fazer. E vc foi se adaptando, foi crescendo à seu modo, foi amadurecendo sem perceber. Sem a gente perceber!
Pode ser q vc tivesse crescido mesmo sem ter se tornado a irmã mais velha. Pode ser. Mas vc se forçou a crescer pra dançar conforme a música q estávamos tocando em casa.

Ah mas eu não tenho dúvidas de uma coisa, minha princesa: vc é a melhor irmã mais velha que um irmão poderia querer nessa vida.
O amor de vcs me faz ver q a decisão de trazer o Bê pras nossas vidas, foi uma das mais acertadas q eu já tive!
Te dar esse irmão de presente, foi a coisa mais certa q eu fiz!

Vc cresceu em vc e em nós. Não te vemos mais como bebê e isso é ótimo pra vc, pro seu desenvolvimento e crescimento.
É mega positivo. Embora doloroso, eu sei q só te fez bem! 
A vc e a nós!

TE amo!
Amo amo amo!
Vc é a nossa princesa encantada!
Um moleque de saias! rs





7 Comentários

  1. cassia czadotz says:

    Que lindo ♥ E eles cresecm taooooo rapido mesmo que logo estarei trocando as fraldas pelo ja acabeiiiiii hauhauahau Familia,com todos os problemas do dia a dia sao o bem mais precioso que poderuamos ter.Mesmo enlouquecendo as vezes me sinto completa…. Felicidades Than sua filha sera uma grande mulher :)

  2. Rebeca says:

    Crescer é assim amiga, complicado e muitas vezes doloroso. Talvez ela não seja assim tão crescida, talvez seja assim que VOCÊ a vê. Ela é esperta, inteligente e aprendeu a se adaptar. Isso é bom, vai ser bom pro futuro dela. Isso é motivo de ORGULHO, de alegria. Não fica triste, essa hora ia chegar de qualquer maneira!

    Beijos

  3. Lu Navarro says:

    E eu me identifiquei em suas palavras.
    Aqui Rafaella tem q esperar sempre
    Porq o Isaac nao se vira sozinho ainda, e agora q ta andando sozinho, tenho de ficar de 4 olhos
    Tbm me senti assim quando Isaac nasceu
    Bjus
    Linhasdamamae.blogspot.com

  4. silvia matos says:

    Vai a minha história contada por outra pessoa. Como é difícil ter que dividir como mãe, como dói sacrificar o mais velho, porque o bebê necessita de mais atenção. Culpa eterna. Mas como é bonito ver a amor entre irmãos, me faz ter a certeza que fiz a escolha certa.

  5. Dani Rabelo says:

    Nossa, minha garganta está arranhando…. emocionadíssima.
    Imagino como pode ser difícil para eles, os irmãos mais velhos, mas ao mesmo tempo, penso que só eles tiveram o privilégio de serem filhos únicos na família inteira.
    Sempre que me pego com culpa ou peso na consciência, penso “Laura, vc tem tanta sorte de ter tido uma mãe só sua…” e aí a culpa passa.
    =D

    Mas sei que muitos outros momentos virão e eu sofro por eles, sim.

    Beijos enormes!

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