Aquele post sobre saudade…

Qdo eu era mais nova, já até namorava meu marido, eu nunca sonhei em ter filhos.
Nunca fui dessas mulheres q pensavam na vida no futuro com marido, filhos, cachorro e papagaio!
Aliás, minha vontade sempre foi estudar, crescer numa carreira sólida, trabalhar numa multinacional.
Qdo eu pensava na Thania no futuro, me imaginava desse jeito. Um cargo ótimo, numa empresa ótima, tendo um carro zero…bem materialista.
Logo q me casei, junto com o casamento (brinco q na festa já), vieram as cobranças “e o bebê, vem qdo?”.
Confesso q nunca sabia como responder, pq mesmo casada, o “start” de ser mãe ainda não havia dado.
Por ter me casado, começamos a pensar bem vagamente no assunto, mas era uma coisa tãããão distante, q nem passava pela minha cabeça ainda.
Qdo enfim, a vontade de ser mãe veio, veio com tudo.
Por conta da ansiedade q eu tinha em engravidar, demorei, claro.
Hj entendo que, além de tudo tem ser tempo certo na vida, nossa mente e pensamentos comandam a nossa vida. Devemos ter cuidado com isso.
Enfim…demorei pra engravidar e por muitos momentos achei q nem ia rolar. Sério. Achei q não era pra mim, q ter filhos não era pra mim.
No meio dessa confusão de nunca conseguir, cheguei até a meio q desistir “ah filhos dão trabalho demais…”. Pensamento vaaaaaaago pra alguém q tinha ZERO de experiência com crianças. Ok, eu sabia q davam trabalho, mas nem de longe imaginava como era de verdade. Acho q ng imagina ao certo.

Daí o restante da história quase todo mundo conhece.
Depois de meses tentando, engravidei da Anna e assim começou a minha nova vida.
E é dela q eu quero falar.

Ah essa nova vida.
Tão atribulada né.
Ter um bebê em casa não é das tarefas mais fáceis do mundo. Aliás, até hj pra mim, foi uma das coisas mais complicadas e difíceis q eu vivi.
Mas a gente vai tirando de letra.
Dormindo pouco e amando muito.
Ah a tal da ocitocina! Ela nos enche de amor. Graças a ela a gente sobrevive a isso de ser mãe!

Mas daí, em alguns momentos solitários, geralmente nas madrugadas complicadas, a gente se pergunta: “pq eu fui me meter nessa????”.
Sim, pq a vida a dois é tão excitante e gostosa.
Tão cheia de coisas pra fazer.
Tão prazerosa.
E colocar um bebê no meio disso, desanda o caldo.
E qdo, a única coisa q queríamos era estar na nossa cama, de conchinha com nosso marido, naquela madrugada gelada e na vdd estamos numa cadeira de amamentação gelada, com os peitos de fora, acordadas e com frio, amamentando aquele serzinho frágil!
Não há lá muito prazer nisso!
Mas como eu disse, a ocitocina! Ela é a nossa grande salvadora.

E o tempo vai passando, e aquele bebê crescendo.
E qdo enfim vc deveria estar dando graças a Deus q ele não acorda mais pra mamar, q ele não precisa tanto assim de vc nas madrugadas geladas, vc começa a sentir saudade daquilo!

Oi???? Como assim saudade?

Do nada, sozinha com seus pensamentos, vc pensa “hum, seria legal ter outro filho! Todo mundo merece um irmão e bla bla bla”
Começa a achar desculpas pra estar sentindo vontade de passar por tudo de novo.
Qdo no fundo, não é q o mais velho mereça um irmão, é vc quem quer passar por tudo de novo por saudade.
E entra de cabeça nisso de ter outro filho.
E tem.
E começam as madrugadas solitárias e geladas novamente, os pensamentos, as tristezinhas típica de quem tem bebê em casa, começa novamente a dormir mal e pouco, a beirar a loucura e aí as vezes, nem a santa ocitocina consegue controlar seus pensamentos mais…
Pq ter um bebê (e vc vai ver isso só qdo tem dois…rs) é fácil.
Dois o bicho pega.
Nem imagino e nem quero se quer pensar em três.
De boca cheio digo TO FORA. Minha total admiração à quem consegue!

E é aí q entra a saudade pelo qual eu quero falar…

Saudade da vida “vazia” as vezes.
A vida sem compromisso e comprometimento.
A vida sem horários.
Sem preocupações.
Pq vamos combinar q, nossas preocupações qdo não temos filhos são tão banais q chegam a ser ridículas.

E esses dias, zapeando o facebook de amigas e conhecidas q não tem filhos, me bateu uma saudade….
Saudade dessa vida meio descompromissada, dessa vida de ir e vir meio q livremente.
Sem horários, sem gritos ou choro, sem ter q carregar malas, blusas, carrinho e bebê conforto.
Saudade da vidinha tranquila!

Não, não. Não é sempre q eu me arrependo da vida q eu escolhi ter hj.
Mas as vezes acontece.
E minha completa admiração à aquela mulher que nunca se arrependeu!
Vc tem meu respeito!

Ok q por um lado é extremamente cansativo e por outro extremamente gratificante.
Mas qdo estamos cansadas e estressadas e querendo sumir do mapa, mesmo q por 10 minutos, o gratificante a gente esquece como num passe de mágica!

“quero sumir”. Já pensei nisso algumas vezes sim.
Oras, eu confesso sem medo.
Sou ser humano. Nem de longe um exemplo de mãe perfeita.
Tenho defeitos como ser humano, imagina como mãe.
Sou surtada. Grito feito louca. Quero as coisas do meu jeito. Esqueço q são crianças.
Sou metódica. E qdo misturamos isso com mãe, sai quase uma bomba nuclear capaz de destruir o mundo!
Mãe metódica é um problema sério.
Mãe tem q ser flexível e isso eu não sou. Não sei o meio termo e acabo sendo extrema. E é aí q o caldo entorna.
As coisas não saem como eu queria, os meus filhos, vejam vcs, brigam (mesmo tão pequenos). A mais velha é desobediente e respondona. Não era essa imagem q eu tinha de familia feliz qdo eu sonhava engravidar, láááá na frente! Minha casa vive uma zona. As vezes suja. Eu tomo banhos a jato. As vezes banho de vômito. Cadê poesia nisso? Não consigo manter uma rotina de lavar os cabelos. Lavo qdo dá. Faço a unha muito esporadicamente e mau feita. Lavo a louça voando. 
Minha vida se resume em ser mãe. Mãe e dona de casa.
Pq aquela Thania lá do começo do post q sonhava em ser executiva e trabalhar numa multinacional, morreu!
Hj ela é uma dona de casa, cheia de neuras, descabelada e de unhas a fazer q passa o dia correndo atrás de filho.
Vejam vcs como a vida dá voltas.

Claro q tudo isso foi escolha minha!
Como eu disse, nem é sempre q eu me arrependo.
Meus filhos são meus maiores bens.
Levem-me TUDO nessa vida, mas os deixe.
A gente se torna mãe e acaba pensando assim.

Mas é barra pesada ver filho doente, filho comendo mal, filho não dormindo, filho fazendo arte e te desafiando, ver filho frustrado, filho chateado e triste.
Qdo isso tudo acontece, a vontade é mesmo de voltar a ter aquela vida (até meio sem graça e sem emoções) de antes! A vida a dois sem filhos.
Da vontade sim.
Oras, pq não?
Mas eu já citei algumas vezes aqui q eu se quer me lembro de como era a minha vida sem Anna Laura e Bernardo.
Não lembro.
Acho q Deus é tão sábio q ele cria, junto à maternidade, um dispositivo dentro da nossa mente q nos faz esquecer de como era antes de ser mãe.
Acho q até pra não criar frustrações desnecessárias.

Muitos irão dizer q sou mau agradecida.
Oras, digam o q quiserem.
Só eu e meu íntimo sabemos como agradecida eu sou por ter duas riquezas dessas em minha vida.
Mas Deus sabe tb o qto as vezes isso é uma tarefa árdua e dura.

E sim, a saudade da vidinha pacata e tranquila a dois acontece muito.
Minha casa vazia, mas meu coração tb!

Pra tudo há dois lados da moeda.
TUDO nessa vida tem os prós e os contras.

Se por algum instante eu sinto saudade e uma certa pontinha de inveja de amigas q ainda ñ tem filhos e vivem uma vida aparentemente gostosa e tranquila, eu tb sinto q elas deveriam experimentar a vida ~loca ~de ser mãe q certamente elas seriam mais felizes…

Embora eu ache muitas vezes a vida sem filhos mais gostosa (quem nunca?), eu tenho plena certeza de q mulher nenhuma deveria passar pela vida sem experimentar as delícias de ser mãe.

Paradoxo né?
Tal qual a maternidade!!!!!

;)



18 Comentários

  1. Joyce Oliveira says:

    Muito bom! Lindo! A mais pura verdade! As vezes também sinto falta dessa rotina de vida a dois somente, mas quando paro pra pensar em todas as alegrias que tenho com a minha filha, esqueço essa saudade rapidinho! Estou gravida do segundo… agora e um menino também! Se chamará Rafael… Nao faço nem ideia do que me espera! Kkkkkkk…. Que Deus e a ocitocina me ajudem! Beijos em vocês! Seus filhos sao lindos! Sempre leio… mas e a primeira vez que comento…

  2. Amanda says:

    Eu SEMPRE sonhei em ser mãe. E quando digo isso, digo ser mãe fulltime mesmo. Eu sempre disse que seria mãe antes dos 28, com ou sem marido!
    E eu, que sempre desejei uns 4 filhos, vez ou outra me arrependo, quero fugir e desistir, mas como não rola desistir toco a bola pra frente esperando o próximo bom momento que me fará lembrar de quando as meninas eram só um sonho.

  3. Faça ou Desfaça says:

    Maravilhoso texto, como sempre , né minha lindinha!
    A facilidade de escrita me dá a certeza que a tal multinacional de antes pode ser a do futuro..a vida de trabalho de mãe é curta pq a vida continua, os filhos batem suas asas e seguem o curso de suas vidas e, aí o bicho pega..e o rompimento do “tal cordão umbilical” pra nós fica pesado..TEMOS QUE PENSAR NA NOSSA VIDA TB..DE NOSSO FUTURO!! Parece materialista falar assim , mas aposentadoria faz falta, nosso mundo faz falta, nossos sonhos fazem falta e farão se não forem solucionados AGORA. Dê mais um tempinho e corra atrás dos seus valores pessoais..sua faculdade, seu serviço..sua realização como profissional..devemos pensar muito adiante e esse $$ de uma aposentadoria fará sim muita falta pq a vida nos mostra caminhos que não queremos aceitar…se tivesse que viver com a pensão do marido, estaria dependendo de filha e genro e niinguém merece ficar assim na velhice..agora nem passa por nossa cabeça esse futuro que parece tão longe, mas o tempo passa tão depressa que ele chega bem antes da gente querer..
    O tempo de mãe de 2 pequeninos é por tempo LIMITADO…usufrua bem pq a gente sente saudades sim e muita e, depois corra pra suas realizações correndo..Fiz faculdade depois de Tati mulher e se não tivesse feito não estaria satisfeita..aposentadoria é necessário pra sobrevivência…veja os reflexos em sua mãe e em mim..não estaríamos bem se não tivéssemos nosso $$$ , nossa liberdade..Corra atrás de sua independência, nem que for pouca , mas é SUA..
    Bjkas minha linda, torço pela sua felicidade sempre, como mãe, esposa, sobrinha e mais ainda MULHER.
    Te amo como minha filha e por isso insisto tanto na sua liberdade . Bjkas mega, hiper carinhosas

  4. Tatiane Aparecida says:

    Tão lindo e tão verdadeiro, sinto e penso as mesmas coisas q vc…Obrigada por colocar esses sentimentos em palavras, confesso q não consigo, a tal da culpa q nasce junto com os bebês não me permite… Deus abençoe imensamente sua família!! Bjos

  5. Michelle says:

    Perfeito!!! Faço minhas as suas palavras… Mas entre alegrias e neuras, tenho certeza de q, se em algum momento, fossemos colocadas contra a parede e obrigadas a tomar uma decisão sobre qual vida queremos ter, posso apostar q não trocaríamos a de ser mãe por nada nesse mundo.

  6. Nayra Garofle says:

    Eu já te entendo antes mesmo da Julinha nascer. Sabe pq? Porque tem horas que me pergunto: caramba! Será que eu não deveria ter esperado mais um pouquinho, aproveitado mais um pouquinho, viajado mais um pouquinho??? Sim, e me sinto culpada por pensar assim uma hora ou outra. Sei q a vida muda, já mudou bastante. Mas tento me confortar e ficar esperançosa de que dias melhores virão e que darei conta de fazer muito das coisas que sempre quis, só que agora com ela entre nós. A Nayra de antes não existe mais também. Agora sou eu para ela. Não vivo mais pra mim, vivo em função de um bebê que está pra chegar. Beijos

  7. Mãe de três says:

    Quando a Baby nasceu (minha terceira) eu lembro que sentei no banheiro da maternidade e pensei: Como fui me meter nisso novamente?
    E durante quase 9 anos que sou mãe eu já senti saudades várias vezes do tempo em que tinha tempo, é uma vontade rápida e chega doer no peito.
    Agora estou esperando o quarto e me pego pensando em como será difícil, sei que é uma benção assim como os outros, mas também sei que demanda trabalho e noites em claro e me dá uma preguiça danada.
    Acho normal termos saudades, o que não podemos é viver delas né?
    Um grande beijo no coração, com meu carinho e admiração.

  8. Marilia Strege says:

    ótimo!!!
    Nos descreve muito bem…
    Mesmo sempre tendo sonhado em ser mãe eu tenho esse sentimento em alguns momentos da minha vida, e claro que sou julgada. Muitas vezes já me senti vivendo apenas a vida da minha filha e deixando a minha em segundo plano, dizem que isso é necessário. Mesmo não concordando eu não consigo fazer diferente e admiro que consegue fazer primeiro para si e depois para seus filhos…..

  9. Dani Rabelo says:

    Chuchu, ainda dá tempo de deixar um comentário e você ler????
    =)
    Eu estava fora esses dias, li o post, mas não consegui comentar, voltei de propósito, para te deixar um abraço…

    eu sei como é esta saudade, viu? sei bem…. não tenho saudades das amigas (que sumiram, diga-se de passagem!), nem da vida boêmia de antes, só sinto saudade de ser eu mesma, de poder tomar banho sossegada, de dormir bem, mesmo que durma pouco. Antes eu DORMIA, eu CAPOTAVA, hoje não mais. Mesmo que ainda durma bastante, que deixe a filha aos cuidados do marido, eu fico preocupada com eles, com o casaco, com o frio (ou calor), com a vida lá fora, com o dia que virá… não é mais aquele descanso…
    Saudade de dar um tempo para mim mesma, de ir ao salão sem me preocupar com hora para voltar. De fazer as unhas e não borrar… Saudade de passar perfume e não me preocupar se alguém vai ter crise alérgica, se o cheiro é forte…

    Sabe?

    A minha saudade maior é de mim mesma, a Daniela. Só isso.
    Não quero a vida a dois de volta, não quero as amigas de volta, não quero a família focada em mim de novo (sempre fui mimada mesmo), não quero a vida de antes, só a Daniela de antes…

    Beijos grandes, querida, sinta-se abraçada.

    Te entendo perfeitamente.

  10. Fabiani Pascoli says:

    Oi, primeira vez que visito seu blog. Amei seu texto, faço minhas suas palavras, é muito bom ver que tem gente que pensa como a gente, que sente como a gente. Eu as vezes me perguntava se eu era louca de me sentir assim, mas agora vejo que não. Somos humanas antes de sermos mães. Mas nossos filhos são nossas vidas agora. Um grande beijo pra você e parabéns!!!

  11. Cláudia Leite says:

    Muito bom o post!
    Vc pensava exatamente como eu antes de querer engravidar… vida descompromissada, bem ganaciosa, queria chegar longe, ter carreira sólida, ser especialista em minha área e bla bla bla!
    Daí ainda demorei um pouco para perceber que nasci pra ser mãe mesmo, e fiquei levando aquela vida agitada de deixar Isabella nas escola 12h por dia… mas ano passad me toquei, não é isso que quero, não e a mãe que quero ser. Quero ser a mãe chata que fica em ciam pra comer, que agasalha, que coloca pra dormir… estou adorando estar assim agora, mais próxima. Meu segundinho vêm aí, tenho medooooo, mas sinto essa saudade de um Rn, um bebê…

    bjo!

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