Existe vida materna (sã) após a gravidez?

Existe vida materna (sã) após a gravidez?

 

Existe vida materna (sã) após a gravidez?

Existe vida materna (sã) após a gravidez?

 

Depois de uma crise forte com a Anna, onde eu estava tentando fazer com q ela fizesse algo q eu nem me lembro, e ela gritou, esperneou e disse q me odiava (a moda agora é essa), eu sentei no chão do meu quarto e chorei.
Levantei e peguei um álbum de fotos que estava no guarda roupa, onde eu guardo as fotos mais importantes da vida deles. Tem foto da gravidez, do chá de bebê, do nascimento, do batizado, do primeiro dia de aula, entre tantas.
A primeira que eu peguei foi a foto do chá de bebê dela.
Eu, grávida de primeira viagem, feliz, radiante, me sentindo a mãe do ano!
Paparicada, fotografada, sem olheiras e sem se quer um fio de cabelo branco na cabeça.
Ah, e penteada, cabelos escovados e com luzes.
A maternidade de fato, aquela verdadeira que não vende na feira, não tinha me pego de vez.
Eu estava linda!
Despreocupada. Não tinha que passar o dia dizendo não, ou me estressando pra dar almoço e nem tendo que me virar em 25 Thanias diferentes.
Peguei várias fotos do chá de bebê dela e comecei a me lembrar, e pensar em como eu via a maternidade, naquele instante.
Na verdade, eu não via a maternidade de forma alguma. Não sabia como era árduo e difícil essa arte de ser mãe. Não sabia q passaria noites em claro (juro, eu não sabia!), não sabia a sensação terrível q é ver um filho queimar em febre, ou a aflição q é vê-lo tomar um tombo do sofá. Não imaginava como era difícil ficar naquela expectativa de saber qdo ele andaria, ou falaria. Não tinha a menor noção de como era estranho o sentimento de mãe no primeiro dia de aula do filho. Da angústia e do coração na boca, no primeiro passeio com a escola, sem a mãe.
Tanta coisa q eu achei q seria uma mãe imune.
Na vdd, de todas as dificuldades estampadas que uma mãe de primeira viagem tem, das coisas q eu não sabia, não imaginava, q aquela Thania lá daquele chá de bebê, q se quer mãe ainda era, não saberia nunca lidar com essa tal de educação.
Pq acordar de hora em hora pra dar de mamar, ok.
Pq acordar com um filho ardendo em febre, ok.
Pq vê-lo indo pra escola, ainda tão pequeno e frágil, ok.
Mas educar. Essa arte eu sinceramente, até pouco tempo, não imaginava ser tão dura!
Mostrar o certo e o errado, na teoria, parece simples. Soa até meio natural, oras. Pq quem é educa é pai e mãe, certo? Certo. Mas e o caminho todo? E fazer com q o filho entenda que não é não? E fazer cara de alface no meio de uma birra monstro dentro do mercado por causa de um iogurte? E ouvir do filho “vc não é mais a minha mãe” qdo ele é contrariado? E manter a calma qdo ele empaca no meio do caminho e não faz o q vc pede? E mostrar o q é certo e o q é errado? E fazer com q ele entenda q  na vida há regras, limites?
Tudo isso DESGASTA.
Muito mais do q passar 40 horas em trabalho de parto!
Muito mais do q passar dias com dor no seio ao tentar amamentar!
Muito mais do q não dormir durante os primeiros meses/anos da vida da criança!

Educar desgasta!
Nos coloca entre o limite da sanidade e o amor q temos pelo nosso filho!

É lindo ler nas teorias que não se deve gritar, surtar, perder o controle.
Mas naquele momento tenso, onde o filho tem a mais absoluta certeza q ele é a parte inteligente da discussão (e tem horas q a gente acredita mesmo nisso! Senhor!), onde ele testa, desafia, quer saber até onde podemos chegar, a gente caga pras teorias lindas!
E faz tudo diferente do q livros especializados em educação dizem.
E quem há de nos julgar?
Afinal, eles sempre conseguem o q querem: q cheguemos ao nosso limite!

E eu desabo! Muitas (MUITAS) vezes grito, perco a linha, pego o chinelo e ameaço bater. As vezes, bato.
As vezes abro a porta e saio pra rua, a fim de tentar tomar um ar, coisa assim! Aquele velho e bom “respirar fundo pra não morrer”.

E aí eu volto a olhar a foto do chá de bebê.
Pq nunca me disseram o quão difícil seria?
Pq venderam pra mim que ser mãe era padecer no paraíso?
Eu não sei o q mais odeio nessa frase. Se a palavra padecer, ou se a palavra paraíso!

É difícil pacas! Eu me culpo, me condeno, me auto critico.
Todo dia eu acordo com a sensação de q sou uma merda de mãe.
Que eu poderia exigir menos. Gritar menos. Ser maleável.
Mas tb, sinto q eles (no meu caso específico, a Anna Laura) poderiam cooperar tb.
Me desafiar menos. Me pedir menos. Me testar menos.
Não sei.

Eu sempre usei um termo pra definir, como muitas vezes me sinto, sendo mãe.
Sabe aqueles malabarismos em q pratos ficam rodando em cima de varetas e qdo eles começam a quase cair, o malabarista tem q se desdobrar pra não deixar que nenhum caia e todos continuem rodando, em cima daqueles mini pauzinhos frágeis e finos?
É assim q eu me sinto.
Não posso deixar nenhum cair, tenho q manter o ritmo, a frequência e o equilíbrio.
Mas ah, claro. Sem esquecer de uma coisa: eu não sou malabarista. Eu sou mãe!

Não sei qdo essa fase da Anna vai passar. Nem sei se um dia vai passar.
Sofro em imaginar qdo ela for adolescente. Pq se aos quase 5 anos ela é assim, com 15, Deus q me reserve uma saúde de elefante.

Mas vamos continuar, sem desistir. Pq se tem uma coisa que não podemos nunca fazer nessa vida, é desistir de educar nossos filhos de maneira que eles levem isso pro futuro e repassem aos filhos deles.

Pq no fundo, ser mãe quando ainda se está grávida, é tão mais tranquilo….

 

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